CHAMADA PARA APRESENTAR ARTIGOS - ÍCONOS 61

GEOGRAFIAS CRÍTICAS NA AMÉRICA LATINA

Coordenação: Sofía Zaragocín (Universidad de Cuenca), Melissa Moreano y Soledad Alvarez Velasco (Kings College London)

Recepção de artigos: desde o 15 de maio ao 4 de setembro de 2017

A geografia crítica, ramo da geografia humana, emerge no mundo anglo-saxão a finais da década de 1960, buscando analisar como os conflitos de poder no capitalismo reconfiguram o espaço. Desde então, tem se colocado ênfase na compreensão que as profundas diferenças espaciais entre regiões geográficas e dentro delas não podem se entender como ordens naturais, mas como o produto de relações de poder desiguais. O espaço é então assumido como socialmente produzido e profundamente político, isto é, como uma construção social que supõe decodificar as relações sociais que o produzem. A crítica à produção do espaço também tem sido fundamental para discernir que o desenvolvimento geográfico desigual tem impactos sobre as relações políticas locais-globais, na reconfiguração de espaços urbanos, na relação com a natureza, nas relações institucionais, e no geral, nas relações cotidianas. A geografia crítica coloca então vários desafios: o compromisso com a teoria social crítica (pós-colonialismo, feminismos, marxismos, teoria queer); o posicionamento subjetivo de quem investiga para revelar os mecanismos de poder e iniquidade; e a práxis progressista comprometida com a mudança social.

Na América Latina esta perspectiva tem sido desenvolvida particularmente pela escola geográfica brasileira. Uma tendência que se estabeleceu em resposta à geografia física positivista, a qual tem estado a serviço da consolidação dos estados-nação, tendo como base a representação do espaço e a delimitação de fronteiras. A "nova geografia" ou geografia crítica brasileira, em constante diálogo com os movimentos sociais de reivindicações territoriais e com a ciência política, empreendeu uma explicação sobre as relações espaciais de poder desde uma perspectiva multidimensional e em múltiplas escalas, que desafia a hegemonia do Estado como o único produtor de território. Em contraste, a nova geografia define o território como a dimensão do espaço que é apropriado por diferentes sujeitos e/ou grupos sociais, estabelecendo relações simbólicas e relações materiais/funcionais com o espaço.

Nesta linha, recentemente têm surgido análises que poderiam ser localizadas dentro da geografia humana. A primeira, de raiz marxista, analisa o desenvolvimento geográfico desigual e a produção do espaço desde a perspectiva do materialismo histórico-geográfico e a autonomia territorial. A segunda, nutre-se das geografias pós-coloniais e indígenas onde se colocam em questão as políticas que tentam mapear o espaço em relação a processos políticos como a plurinacionalidade. Por este motivo, é necessário promover uma maior reflexão sobre a configuração, produção e articulação do espaço desde América Latina.

Este dossiê pretende destacar a relevância e atualidade da geografia humana de corte crítico na região através de estudos de campo, cartografias sociais e etnografias que revelem como e por quê as relações sociais e políticas são necessariamente relações espaciais que reproduzem desigualdades históricas e sistêmicas. Especificamente, interessam para este dossiê pesquisas empíricas que apresentem um estudo sobre os seguintes temas:

• Propostas que abordem a geografia críticas e marcos da colonialidade (geografias indígenas, pós-coloniais, descoloniais).

• Análise da geografia da desigualdade e regime de controle da mobilidade.

• Estudos que promovam a relação entre a geografia crítica, conceptualização do território e/ou ecologia política.

• Pesquisas que aprofundem sobre geografias feministas, queer e da sexualidade.

• Propostas voltadas para as geografias das migrações (translocais-transnacionais).

Serão recebidas contribuições em espanhol, inglês ou português, não obstante, os artigos selecionados serão publicados em espanhol. A Revista aclarará dúvidas ou contribuirá a perfilar as propostas até o início do período de submissão das contribuições.

Os artigos devem ser ajustados à política editorial e às normas de publicação da revista (disponíveis em www.revistaiconos.ec). Para a seleção de artigos utiliza-se um sistema de avaliação por leitores pares (peer review).



ISSN: 1390-8065